“Você é tão errado, tão cheio de
estragos”. Eu sei de tanta merda que você andou fazendo por ai, eu sei de tanta
coisa sobre meninas e seu passado que te condena. E que deveria de alguma forma
me afastar, não sentir, não imaginar. Mas, exceto a parte de me afastar, eu
estou me saindo muito bem. Ao menos foi o que eu me contei um dia desses. Mas
sabe o que eu não tenho e que eu deveria ter? Medo. Isso mesmo, medo. Olha que
cômico, eu, a criatura que não dorme sozinha no escuro, que corre de pombos e
fica tensa em aviões! Vê se pode? São coisas tão ridículas e tenho medo delas.
Agora de você? Eu deveria morrer de medo, mas não. Eu faço questão de ser
corajosa para a coisa mais insana. Vou te contar um segredo, eu estava tão
livre, tão de bem com a vida, tão eu, tão minha, daí você apareceu, sem pedir
licença, e entrou na minha vida. Assim, sem mais nem menos. E essa nem e a
parte ruim. A parte ruim é que eu tenho plena consciência de que você é o vilão
do meu conto, ainda que não ande por ai com capa preta, e eu deixei você me ver
rindo das suas piadas estúpidas. Eu deixei você me abraçar e me acolher em teus
braços. Eu deixei você colocar mais cor, ainda que minha vida já seja um
arco-íris. Como você conseguiu? Por mais que eu saiba viver muito bem, sorrindo
e dançando por ai, sem você, eu cismei de querer fazer isso contigo. Olha que
merda! Eu sei que pode dar tudo errado, e mesmo sabendo disso quero tentar. “Se
for para tudo dar errado, quero que seja com você.” Não deveria ser assim,
porque eu não deveria ser tão inconsequente a ponto de ir fundo em algo que
pode dar tudo errado. Sabendo que as probabilidades de dar errados são enormes,
eu não estou me importando. Olha que estupidez!
(Detalhetexto mega antigo)
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