junho 18, 2012

Um Conto de Amor


Ele estava sentado à mesa, aparentemente ansioso. Seus olhos verdes folha seca percorriam o ambiente constantemente, mas ele não me viu. Eu não permitia. Por não nos encontrarmos a alguns anos, o meu cabelo que era castanho estar vermelho, os óculos escuros enormes e as roupas diferentes do habitual, ele não sabia que era eu, a garota que estava na mesa enfrente à sua. Ele começou a ficar nervoso. Jogava os cabelos para trás, revirava os olhos impacientemente, mexia os lábios em murmúrios inaudíveis, batia os dedos harmonicamente na mesa e checava o celular mais que o necessário. Deixei um sorriso escapar. Saber que ele estava ali me deixava com uma sensação gostosa, depois de tanto tempo. Quem diria que ele estaria ansioso para me encontrar? Mas ele não iria. Ele iria se decepcionar. Ele desejara me encontrar, como tantas vezes eu desejei encontra-lo, e ele se ausentou. Meu coração me implorava para ir até ele e abraça-lo, porém meu lado racional não permitia. Meu orgulho também não. Ele me deixara demais. Ele foi sem se despedir muitas vezes para eu simplesmente sorrir e dizer que esta tudo bem. Não, o sabor da vingança era doce em meus lábios, e por mais que eu soubesse que havia algo mais doce a saborear, permiti o meu orgulho decidir.
Ele parecia estar melhor que eu, ao menos ele não tinha que resistir à vontade de correr até mim, afinal, ele não sabia que era eu. A garota que ele esperava logo em sua frente. Será que ele desistiria de nós se soubesse? Talvez. Mas ele já desistiu tantas vezes. Quantas foram as situações em que o desejei comigo? Acho que demais para serem contadas.
Ao sair do meu transe, percebi que ele olhava diretamente para mim curioso. Um pouco assustada, mesmo que com a minha “fantasia”, abaixei a cabeça e fingi mexer no celular.
Ele se levantou bruscamente e saiu. Acho que o meu atraso de uma hora para o nosso encontro o irritou um pouco. Sutilmente, o segui.
- Por que você faria isso comigo? – perguntou ele, surpreendendo-me.
Continuei andando e procurando alguma garota parecida comigo, mas aparentemente aquela rua estava vazia. Continue andando, como se não fosse com você, pensei.
- Para de achar que sou idiota Alice. Cabelo novo e óculos escuros não te deixam diferente. E não esqueça que você tem facebook e eu nunca esqueceria a sua face, mesmo com o tempo.
Fiquei estática. Definitivamente, não esperava por isso.
- Não vai se defender? – perguntou.
Apenas abaixei a cabeça. Eu sei deveria continuar andando que ele acharia que cometera um engano. Mas meus pés não se moviam.
- Por favor, me dê qualquer desculpa estúpida e inventada. – implorou, enquanto eu continuava calada.
Então, ele se aproximou, tanto que eu pude sentir sua respiração movendo minha franja levemente. Em um gesto desesperado ele me abraçou, e pude sentir que seu rosto estava molhado. Supus que fossem lágrimas, mas não tive coragem suficiente. Quis retribuir o abraço, mas não tive força suficiente, e eu já estava à beira das lágrimas. Ele me soltou e se afastou, enquanto eu continuava parada.
- Eu esperava mais de você – disse ele com a voz embargada pelo choro – Gostaria de saber o porquê, mas acho que foram emoções demais para um único dia. Adeus Alice.
- Bom, ao menos desta vez você se despediu. – disse enquanto ele ia embora.
- É porque as outras vezes não eram despedidas.

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